terça-feira, 31 de agosto de 2021

Confinamento - Poesias do Desnorte (Declamação)

Confinamento


 

Com fins de confinamento…
Olhar para fora,
Sentir por fora,
Mas viver para dentro.

Assim é, absorver o nada de lá,
E transforma-lo em tudo cá….

Ver a vida a acenar à janela,
Senti-la, mas não poder tocar nela!
Não estar morto, mas perceber,
Que tudo, agora, é sonhar e não ver.


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A Expectativa

 



O problema é da expectativa…
Se me elevo de mais, caiu em seguida,
Se não saiu do chão, morro na vida…
Afinal, continuo a remar ou fico à deriva?

E também é vossa… Sim, a culpa!
Por todos quererem a mesma vida,
Sem consequência de uma diferente luta…

O que me foi imposto à nascença,
Foi um grande lote de sucesso…
E o que falhou, não foi a vontade imensa,
Mas descobri que o tudo é um excesso.

Mas o nada também é um extremo;
As vezes nada se faz, nada se tenta,
Outras sou o Senhor supremo…
E não consigo sair do oito ou oitenta.

Mas o problema é da expectativa…
Regulada conforme a consequência da luta.
Não penses que ela não será uma puta,
De uma farpa, afiada, em toda a tua vida!

domingo, 29 de agosto de 2021

Lugares

 


Por entre o caminho encurralado,
Apertado, onde não tenho espaço…
Sinto-me completamente sufocado,
E caminho, sem saber que direção faço.

Atrás tenho todo o passado,
E por ordem certa… Em frente o futuro…
Mas no agora, no meio - Fico agitado,
E o que sinto é o frio na parede deste muro.

Não vejo o início nem o fim,
Vejo o negro que o caminho faz de mim,
E se alguma luz tenho, para caminhar,
É do caminho que nunca quis conquistar!

Eu só quero estar no limiar,
Nem em frente, nem para trás - Apenas parar.
Fugir da caverna de Platão,
Sentir com o olho e ver com a mão! 

sábado, 28 de agosto de 2021

Remar Contra


 

Enquanto a beleza suga o corpo,
Da natureza - Em que creio ser um sopro,
Olho o Janeiro como vivo o Agosto.
Quando ver é viver e isso não é desgosto!

Há quem avalie a vida pela batida…
O forte bater do coração e o respirar ser vida;
Se a mente não tratasse de abrir a ferida
Tudo seria perfeição, mesmo na partida… 

Ah, ninguém se contenta.
Contentar-se é a entrega à morte…
E mesmo com a minha pouca sorte,
Eu não me contento e continuo a remar a norte!

Simplicidade


 (Do primeiro ao último passo)

Porque sou este estranho,
Que tudo estranha…
E nada consegue entranhar?

Aquele que não sabe, 
Nem o lugar das suadas mãos,
Que irrequietas procuram por um bolso…

Aquele que anseia sempre
O minuto a seguir,
E por isso,
Não vive, nem existe!

Com a exceção de existir em momentos, esses
De pensamento… Sobre o primeiro passo…
Que me surge pela ordem errada de último.

E por isso,
Eu fico, onde estou…


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

O Poema é Infinito




Todo o esforço é em vão…
A vida tem uma ordem própria a seguir, 
E não adianta o dizeres que não.
Quando sabes que contigo estás a mentir. 

Eu também gostava que assim não fosse,
E não tenho a certeza que assim o seja… 
Ah se alguma certeza eu soubesse,
De Deus, eu não teria inveja…


                            
                         (…)

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Tudo Passa




Porquê que tudo passa por mim?
Tudo me passa e nada consigo tocar,
Nada é meu - Tudo bem, eu concordo…
Mas e eu? Será que não nasci para um fim?
Ou o fim será apenas morrer e esperar?!
(Não consigo decidir se durmo ou se acordo…

Este sonho dura à tempo demais,
E arrisca-se à eterna realidade…
(Ser detido e não saber nada mais,
Tal como Josef K. em Kafka da verdade.)

Ah… Ou eu tenho a vontade ou não a tenho,
É tão simples quanto isso!
Pois não é à vida, mas a mim que desdenho…
Por isso a minha espera, é comigo compromisso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Contagioso




Não me importa se comecei e não acabei,
Ou se irei continuar, no mesmo caminho…
Não importa sequer se algo principiei!
Nunca te pedi ajuda, pois sou sozinho…

Pedir ajuda, seria admitir a minha derrota.
Não por conceitos vagos de orgulho
Para com todos vós, mas na verdade, ninguém nota…
Mas na derrota eu dou um mergulho…

E bem que me quero afogar!
Submergir dos vossos ideais,
Que duram à tempo de mais …
E que sempre irão perdurar.
Não é de geração ou de animais,
Contagia-se, quem não sabe amar…


terça-feira, 24 de agosto de 2021

Ah Fodasse parte 1




Ah fodasse!
Fodasse para a vida e para a morte…
Um grande e subtil fodasse.
É preciso dizer «fodasse» para se libertar!
Fodasse o Sul, fodasse o Norte,
A nação, e tudo o que me faz privar…

Hoje só quero mandar, 
Um fodasse grande para o mundo.
Para poder bem gritar,
A minha má sorte, neste mundo…

E fico feliz por tudo se foder,
E fico feliz por não ser sozinho,
Fico feliz por tudo assim ser 
E no grande fodasse nos entender;

(Mas "O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que…" 
Seja fodido…) 



segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Infinita Procura




Procurar… Não paro de procurar…
Mesmo sem importar o que vou encontrar!
Sempre sei aquilo que não quero,
Mas nunca aquilo que de mim espero.

Procuro, não sei bem o quê,
Nem bem, nem mal, não sei!
Só procuro o que todo o mundo vê,
E mesmo assim, eu ainda não encontrei…

Quando divago pela procura,
E acaso ou não, encontro-me a mim…
Tudo o resto é uma loucura,
Que age na falta de cura, para o meu fim…

Ah Fodasse parte 2






Ah fodasse esta merda de viver, 
Ah fodasse este sentido sem norte! 
Quando tudo me diz que o sofrer, 
Será sempre a minha maior sorte...

Ah e que sorte é ainda poder dizer, 
Que tudo isto nada vale a pena... 
E ainda conseguir perceber, 
Que estou no palco e esta é a minha cena. 

(A <<a arte subtil de não sentir>> já saiu?!
Ou será isso assunto de budismo?
Não sei, não sei... Hoje sou Socrates, 
Ou então Diógenes de Sinope...)

domingo, 22 de agosto de 2021

Alma Nua




Não adianta a mão pousada,
O bater do coração congelado,
Nem o pensamento da mágoa passada,
Ou o destino turvo e encurralado…

Temos vida e vida a passar… Nela tudo é sério…
E ser sério é assumir o compromisso,
Que perante ela, serás sempre submisso!
Mas lembra-te, isso não lhe tira o mistério…

Os seus sabores, na maioria, amargos…
Mas quando lhe apanhas os doces,
Não importa se são gordos ou magros,
Abusa e sente como se dono dela fosses!

Enquanto o prazer atua,
Tu estás vivo e não só a viver…
Por isso despe-te, coloca a alma nua,
E lembra tudo o que não queres levar por fazer.



Efeitos Secundários de Viver




Não me sabe escrever,
Com esta tremura.
E não consigo ter prazer,

Mesmo na tua maior ternura…


Não sei o que me abalou.

Mas a vida é isto:

Principiar, viver e pronto - Acabou!

Pouco ou nada importa, tudo o que sabes,

Ou o que tenhas visto… 

(Pois também sabes que é para isso que nasces.)


Queixar-se sim, temer não…

O queixume é com a vida,

E não para com a tua opinião.

(Podia continuar a escrever,

Mas acho que vou sair nesta saída…

Por onde mais poderia sair? Ou escolher?)


E que a viagem te seja boa…

Enquanto a felicidade não te magoa!

Mas que nunca, esta vida seja à toa;


sexta-feira, 20 de agosto de 2021

A Criança Poética




Eles não sabem, claro que não sabem…
Nunca poderiam saber, com certeza!
E tu sabes como é difícil de te saberem,
Guardas bem a alegria, mas melhor a tristeza.

Mas, se o verso me grita, suplica em pensamento…
E pede-me uma saída em cada rima, 
Dizendo que aliviará todo o sofrimento.
Pego o caderno e coloco a caneta em cima,
(Acredito neles como em mim duvido…
Mas sempre respeito e dou-lhes ouvido!

Depois, tudo não passa de um alívio…
E percebo, que basta eu ter percebido.

Poesias do Desnorte - A Poesia